da brisa especular
o vento e o papel do poeta
dele que se escreve em vida
num mundo onde a letra seria apenas um ponto
mas, sabe-se, ponto é tempo em esperança
andar no vento só a passos curtos
para que haja tempo de sensibilizar o toque
o poeta escreve
e faz do verso ou da linha um encontro
resta à brisa o acento do pai
e o silêncio que tanto diz
quanto o findar da folha que se desagarra
e quase tocando o chão grita o canto da ave
quinta-feira, 26 de março de 2009
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Sangue de chumbo ou soneto particular
Depois de despossuído
da tarde plúmbea
relia em minhas veias
as letras do seu abecedário
Zinco e cobre
suas madeixas
seus elementos
de mulher oriental
Quer do indivisível átomo
Uma partícula secular
Instante em porção
Fez de mim e em mim
Todos os nomes que quis
Ademais, confesso, restou-me apenas o seu
Depois de despossuído
da tarde plúmbea
relia em minhas veias
as letras do seu abecedário
Zinco e cobre
suas madeixas
seus elementos
de mulher oriental
Quer do indivisível átomo
Uma partícula secular
Instante em porção
Fez de mim e em mim
Todos os nomes que quis
Ademais, confesso, restou-me apenas o seu
A volúpia da letra
voluptuosa é a letra
quer desdenhar e seduzir
a vontade de querer bem
voluptuosa é a letra
quer resposta imediata
como se destemido
pela vida
pudesse (eu) alcançá-la
sua fugacidade é veloz
pela própria voluptuosidade
a sensualidade de seu som
a sensualidade de seu som
contém canto de sereia
lascívia até a sílaba
quer comover-me o cativo coração
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
O circo, o palhaço e o leão
A tenda, seu céu
Estrelas estampadas num celeste
cor de lembrança
Risca no chão um circulo
e faz dele o seu teatro
Circo é coisa séria
Todo domingo tem
e o leão aguarda a próxima chance...
Há algo, no mínino, de estranho
ver um palhaço rir de verdade.
Estrelas estampadas num celeste
cor de lembrança
Risca no chão um circulo
e faz dele o seu teatro
Circo é coisa séria
Todo domingo tem
e o leão aguarda a próxima chance...
Há algo, no mínino, de estranho
ver um palhaço rir de verdade.
Há! Gosto de cão!
12:20pm da última quarta-feira, dia 25 de agosto de 2004. Lanchonete do prédio de engenharia cheia.
Quando as mesas fixas estão ocupadas, as pessoas se acomodam nas mesas de plástico, distribuindo-as na grama.
Várias são as opções no cardápio;
- torta de frango,
- macarrão com frango ao molho branco,
- lasanha de frango...
são algumas das várias para os vários gostos.
Temperatura agradável. Nesse horário, pelo menos em agosto, o prédio de engenharia faz sombra naquele gramado.
Eis que surge um ; Daqueles vira-latas bonitinhos que circulam na universidade.
Esse, em especial, era, umagracinha: porte mediano, pêlo rajado, olhos afáveis. E as orelhinhas? Jamais havia visto algo tão amistoso como aquelas orelhinhas caídas, curvadas para frente.
As pessoas que passavam compartilhavam, com um sorriso, aquele momento em que aquela doce criatura me olhava, e esperava um gesto de compaixão com sua fome.
Sigo almoçando. E em um momento me dou conta que aquele cãozinho havia saído dali.
É que, do nada, o cão retorna com uma rolinha na boca.
Pomba!
A princípio as pessoas nada diziam. Mas seus olhos indicavam algo.
Escuto uma voz: - Ele achou o almoço dele.
A partir daí, todos comentavam horrorizados:
- Vou para outra mesa, longe daqui!
E o cachorro a estraçalhar a rola...
- Credo, que nojo!
E o cachorro a dilacerar a rola...
- Eca! Perdi o apetite!
E o macarrão esfriava... o queijo esfriava... o molho esfriava...
Quando as mesas fixas estão ocupadas, as pessoas se acomodam nas mesas de plástico, distribuindo-as na grama.
Várias são as opções no cardápio;
- torta de frango,
- macarrão com frango ao molho branco,
- lasanha de frango...
são algumas das várias para os vários gostos.
Temperatura agradável. Nesse horário, pelo menos em agosto, o prédio de engenharia faz sombra naquele gramado.
Eis que surge um ; Daqueles vira-latas bonitinhos que circulam na universidade.
Esse, em especial, era, umagracinha: porte mediano, pêlo rajado, olhos afáveis. E as orelhinhas? Jamais havia visto algo tão amistoso como aquelas orelhinhas caídas, curvadas para frente.
As pessoas que passavam compartilhavam, com um sorriso, aquele momento em que aquela doce criatura me olhava, e esperava um gesto de compaixão com sua fome.
Sigo almoçando. E em um momento me dou conta que aquele cãozinho havia saído dali.
É que, do nada, o cão retorna com uma rolinha na boca.
Pomba!
A princípio as pessoas nada diziam. Mas seus olhos indicavam algo.
Escuto uma voz: - Ele achou o almoço dele.
A partir daí, todos comentavam horrorizados:
- Vou para outra mesa, longe daqui!
E o cachorro a estraçalhar a rola...
- Credo, que nojo!
E o cachorro a dilacerar a rola...
- Eca! Perdi o apetite!
E o macarrão esfriava... o queijo esfriava... o molho esfriava...
quinta-feira, 12 de junho de 2008
o canto das sombras
o guarani entoou
seu cântico
como um pássaro
livre de gaiolas:
‘o melhor de sabermos
da face escura da lua
é que ela existe pelos raios da grande estrela’
E o poeta falou
com o canto de seu pincel:
uma sombra só existe
pelo corpo que reflete a luz
seu cântico
como um pássaro
livre de gaiolas:
‘o melhor de sabermos
da face escura da lua
é que ela existe pelos raios da grande estrela’
E o poeta falou
com o canto de seu pincel:
uma sombra só existe
pelo corpo que reflete a luz
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